
Leitura do Livro do Gênesis
13ª Semana do Tempo Comum | Terça-Feira
Cor Litúrgica: Verde
Naqueles dias,
15. os anjos insistiram com Ló, dizendo: “Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, e sai, para não morreres também por causa das iniquidades da cidade”.
16. Como ele hesitasse, os homens tomaram-no pela mão, a ele, à mulher e às duas filhas — pois o Senhor tivera compaixão dele —, fizeram-nos sair e deixaram-nos fora da cidade.
17. Uma vez fora, disseram: “Trata de salvar a tua vida. Não olhes para trás, nem te detenhas em parte alguma desta região. Mas foge para a montanha, se não quiseres morrer”.
18. Ló respondeu: “Não, meu Senhor, eu te peço!
19. O teu servo encontrou teu favor e foi grande a tua bondade, salvando-me a vida. Mas receio não poder salvar-me na montanha, antes que a calamidade me atinja e eu morra.
20. Eis aí perto uma cidade onde poderei refugiar-me; é pequena, mas aí salvarei a minha vida”. E ele lhe disse: “Pois bem, concedo-te também este favor: não destruirei a cidade de que falas.
22. Refugia-te lá depressa, pois nada posso fazer enquanto não tiveres entrado na cidade”. Por isso foi dado àquela cidade o nome de Segor.
23. O sol estava nascendo, quando Ló entrou em Segor.
24. O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra.
25. Destruiu as cidades e toda a região, todos os habitantes das cidades e até a vegetação do solo.
26. Ora, a mulher de Ló olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal.
27. Abraão levantou-se bem cedo e foi até o lugar onde antes tinha estado com o Senhor.
28. Olhando para Sodoma e Gomorra, e para toda a região, viu levantar-se da terra uma densa fumaça, como a fumaça de uma fornalha.
29. Mas, ao destruir as cidades da região, Deus lembrou-se de Abraão e salvou Ló da catástrofe que arrasou as cidades onde Ló havia morado.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
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Reflexão
A leitura de hoje está no Livro do Gênesis (Gn 19,15-29), o primeiro livro da Bíblia, tradicionalmente atribuído a Moisés. Gênesis reúne relatos de origem: do mundo, da humanidade, do pecado e, especialmente, da aliança de Deus com os patriarcas — Abraão, Isaac e Jacó. O capítulo 19 narra a destruição de Sodoma e Gomorra, cidades marcadas por profunda injustiça e imoralidade. É nesse cenário que aparece Ló, sobrinho de Abraão, que morava em Sodoma.
Neste trecho, vemos os anjos do Senhor resgatando Ló e sua família antes da destruição das cidades. Ló hesita, talvez preso ao conforto e às memórias, mas é tirado pela mão — um gesto de misericórdia divina. Recebe uma ordem clara: não olhar para trás. Ainda assim, sua mulher desobedece e é transformada em estátua de sal, simbolizando o apego ao passado que impede a salvação.
Essa passagem nos fala com força ainda hoje. Quantas vezes nos apegamos ao que passou — erros, vícios, zonas de conforto — e hesitamos em avançar para o novo que Deus propõe? A mulher de Ló olhou para trás, e essa atitude lhe custou a vida. A fé, ao contrário, é movimento. É confiar na direção de Deus, mesmo quando o futuro parece incerto.
Deus não destrói por prazer, mas age com justiça e compaixão. Ele salva Ló por lembrar-se da oração de Abraão. Essa lembrança mostra o poder da intercessão e da aliança.
Hoje, somos convidados a seguir em frente com confiança, sem olhar para trás com saudade daquilo que nos afastava de Deus. Mesmo que o mundo ao nosso redor pareça em ruínas, Deus continua a nos guiar para lugares de refúgio, como fez com Ló. Cabe a nós obedecer, confiar e seguir — porque salvação começa quando damos o primeiro passo de fé.




